O que é antroposofia?

Via Namu

A professora e a esperança




Eis que, um dia, um filho diz para o seu pai: "vou contar tudo para o seu pai!". Se há uma força superior à do pai, o pai deixa de ser tão forte. 

Viver em civilização é renunciar a satisfação de instintos sexuais e de agressividade. É, também, estar protegido da vida em natureza, em que os instintos de outro homem entrariam pela minha porta. Freud nos conta isso, em O Futuro de uma Ilusão. A natureza é a enormidade do mar, e também a selva impiedosa. O pai e os deuses surgem na infância de um indivíduo, e na infância da espécie, como o que obriga à repressão dos instintos, mas, também, oferecem a sensação de proteção contra as feras e o destino. 

Não faz muito tempo, no Brasil, a professora era importante em sua comunidade. As professoras eram figuras conhecidas: acompanhavam a vida inteira de cada indivíduo, pois ensinavam a criança, na sala, o jovem, na rua, e o adulto, nas reuniões comunitárias. Não se tratava de serem inesquecíveis: elas nunca se ausentavam da convivência. 

As professoras eram figuras respeitadas: o adulto dizia à criança, ao jovem e a si mesmo, que a palavra da professora era a verdade e a lei. Essa afirmação, feita em casa, fortalecia a própria autoridade dos pais. Fortalecia a própria autoridade sobre si mesmo. O indivíduo se sentia apto a fazer a árdua tarefa cultural de conter seus instintos antissociais e trabalhar, na compreensão de Freud. Ou seja, o individuo poderia exercitar a intelectualidade, o conhecimento e a fruição das suas emoções e a melhorar-se moralmente. A professora estava ali para mostrar-se como a realização disso, e que ela era feliz em ajudar as outras pessoas a conquistarem-no. 

A professora era admirada: como é ser uma pessoa melhor, intelectual e moralmente, além de mais feliz consigo mesma e com ótimas relações? A comunidade fazia essa pergunta à professora. Ela era como um ponto terreno de um ideal.

Se exagero, embora não me distancie muito do que um dia já existiu entre nós, é para que voltemos a querer ter este tipo de pessoa. Mais do que isso: é para nos termos em tão alta conta a ponto de nos vermos capazes de sermos assim, professores de verdade, e não pessoas que destroem seus idolos, seus ideais, sua cultura, e matam umas às outras. 

Freud conta que, acima dos deuses, havia o Destino. A natureza vencia, mas a criança não precisava lembrar-se disso a todo momento, pois o pai, ou ainda os deuses, permaneciam ao lado delas, dando-lhes a ilusão de proteção. Crescíamos acreditando que tudo daria certo. E dava! A morte de uma professora a fazia sempre ser lembrada, e a inspirar decisões, e dava entrada à nova professora, tão especial quanto a anterior. 

A criança ou adulto que, hoje, dizem que há alguém acima da professora, levam-na à morte precoce, ao esquecimento. Na verdade, se o desejo de desrespeitar, de roubar, de matar e de destruir, que aparecem na má política e no nosso descarte ambiental e de seres humanos, forem as coisas mais importantes, a professora nem chega a nascer.


As pedras de um analista




No consultório com gabinete contíguo, de Freud, havia livros. Também inúmeras placas, estátuas e outros objetos antigos. Ele dizia, brincando, ter lido mais sobre arqueologia do que psicologia. Acompanhava as últimas descobertas arqueológicas. No mediterrâneo estavam suas raízes mais profundas, dizia, e como não poderia viajar em busca delas, mantinha-as perto, o quanto fosse possível. Com seus pacientes também se comportava como um arqueólogo, desencavando pedras e descobrindo tesouros há muito escondidos. Seus amigos presenteavam-no com objetos deste tipo. Seus pacientes não se sentiam na sala de um médico.

As paredes do consultório de um analista têm prateleiras cheias de livros. Há os adquiridos durante a faculdade. Nem todos os livros desta época estão ali: foram suprimidos os de qualquer assunto que não fosse psicanálise. Os adquiridos posteriormente também só puderam estar ali se se mantivessem nessa área de interesse, a única que poderia aparecer, para contar a história de formação de uma analista. 

Freud lia sobre figuras históricas. Comovia-se com os conflitos psicológicos apresentados em óperas, algumas das quais, após ter assistido por mais de trinta vezes, tornavam-se objetos revestidos por diversas mãos de verniz e poeira. Fazer a história deles, ou de um paciente, era descobrir tanto sua origem como seus acidentes. 

O psicanalista encontra nos livros de psicanálise e, em bons casos, também de mitologia, filosofia e literaturas, as imagens e ideias, de biografias ou de teorias, que relê em grupos de estudo e em seus próprios pensamentos. Freud, ao escrever, acariciava suas estátuas, o suficiente para brevemente descortinar algo. Partes delas, dos pacientes e dele mesmo permaneciam inacessíveis. 

Na minha estante há Iliada, que muitos me dizem ser difícil. Respondo que não, não é difícil, no sentido em que tomam algo por difícil: dependendo da edição, é possível de ler, sendo escolarizado e tendo alguma paciência. 

Este livro permanece bastante inacessível, para mim. Eu a li, e entendi. Um analista entende tudo o que um paciente fala, por algumas seções. Essas duas coisas não querem dizer nada. Elas precisam novamente ser lidas, em parceria. As descobertas da leitura de livros como esse, e de falas de pacientes, não põem fim à sensação de que há algo a se entender. 

Quando criança, tive alguns bonecos. De um deles eu venho me lembrando: era um rinoceronte com corpo de um homem. Os olhos eram raivosos. Eu passava um tempo olhando para aqueles olhos. Eu queria ver a raiva deles. Eu queria chegar no limite da sua raiva, quando eles ficavam com menos movimento, e pareciam bons. Para ver isso, eu precisava não ver as pálpebras, os músculos que mostravam a intenção. Devia ser apenas o redondo dos olhos vermelhos. Coelhos têm olhos vermelhos. Vampiros e alguns monstros, também. Os olhos, enfim, não param de mostrar coisas. 

Freud olhava atentamente para seus pacientes. Que ele os escutava atentamente, já se comenta bastante. Nós, livrescos, dizemos que o analista baseia-se na escuta: de professores, supervisores, seu próprio analista e pacientes. Mas falta atenção aos objetos de um analista. 

Uma análise, leitura, começa no olhar. É através dele que nos prendemos amorosamente. Aí, então, pode-se deixá-lo de lado, e escutar e falar.


A melhor dança das nossas vidas




O professor de Whiplash (dir. Damien Chazelle, 2014) não queria mais ser o melhor professor, dos melhores alunos de música. "Balançar os braços e manter todo mundo no ritmo, qualquer idiota faz". Ele queria ser algo mais. 


O homem não quer se conservar. Nietzsche nos deu isso. Ele sobe o Everest, pula de bungee jump, usa drogas loucas, para mostrar o quanto ele é demais. Pelo Everest, ele terá o próprio nome registrado. No bungee jump, os amigos o comentarão por uma semana ou duas. A droga é curtição solitária ou em pequenos grupos, que logo precisa se repetir. O beijo da morte satisfaz pela vida toda o primeiro, por menos tempo o segundo, e é compulsivamente ansiado pelo terceiro. 

Era do feitio do professor estapear e xingar, como chicotadas (whiplash, em inglês) no aluno, para ele se superar. Um de seus alunos era muito bom baterista. O professor é grosseiro com ele. E o observa. O garoto fica puto, mas volta a atacar a bateria. Melhora. O professor o estapeia. Em uma edição do programa Hora da Coruja, especial sobre este filme (http://horadacoruja.com.br/filosofia/whiplash), a filósofa Francielle Chies nota que uma lágrima desce o rosto do garoto, e que o professor questiona se ele é um "one single tear guy". Um cara assim é aquele que se enfurece com uma chicotada, mas engole esse sentimento e passa a querer se vingar do professor, que se torna o culpado dos problemas dele. O aluno do filme não é desses: o professor o faz gritar que está puto. O aluno toca bateria até sangrar. 

Um caminhão bate com tudo no seu carro, e ele sai debaixo do carro para correr para se apresentar. Toca feito trem, até se acabar. Desconhece limites. Nos preocupamos muito com nossos limites. O trabalho cansa. O trabalho não vale a pena. Sempre me faz pensar que não aguento mais, e a vontade de não fazer nada não me deixa. Desde cedo achamos que não vale a pena ser outra coisa que não um Superstar. Mas há aqueles que embarcam em determinadas vontades que possuem, e jamais param. Não se sabe se essa determinação é deles mesmos ou dos professores que os chicotearam. É da natureza do cavalo correr, ou é pela ponta do chicote? É ambos. 

O aluno de bateria foi um pequeno ser cujo mundo sempre esteve na iminência de que algo muito quente ira acontecer, algo que surpreenderia a ele mesmo e a todos que o vissem de perto. Esse algo era um texto, um solo de bateria, uma construção, ou uma arte, fantásticos. O lar era acolhedor e estável. O aluno determinado viveu nele, mas algo aconteceu que lhe deu a sensação que ele mesmo seria muito maior do que ele mesmo. O professor o fez dar-se com tudo para este objetivo. 

Na última apresentação do filme, o aluno não parou de tocar, quando deveria. Virou uma máquina que corria por conta conta própria. Mas não sozinha. O professor olha para ele, espantado, e pergunta "o que está havendo, MAN?". Aquele não é mais um aluno. E, desde o início, com ele, o professor alternou as lições brutas com um olhar de satisfação muda. Ele só esperava alguém que virasse um automotor (agora não me ocorre em nada que mostre melhor o que poderia ser um automotor do que um baterista excelente e enfurecido. E que precisa da plateia), para que ele mesmo curtisse um grande som, e regesse não a música que queria ensinar, mas a que gostava de escutar. 

Os movimentos de regência foram como os do Mickey, no filme Fantasia, quando ele se torna senhor da magia e faz as ondas levantarem-se juntas dos seus braços. A mágica está nas ondas ou nos braços do mágico? Está nas baquetas ou nos gestos do regente? O aluno foi além de si mesmo. Era pura performance. Junto dele estava o professor, que também foi além de si mesmo. E foi pura performance emocionada. E ele esperou tempo demais por essa emoção.


Adormeça seus filhos lendo um livro, não vendo televisão



Não há nada tão terapêutico e reconfortante quanto conseguir que uma criança adormeça enquanto lemos um livro para ela. A experiência da escuta é fundamental também para o seu domínio de leitura. Além disso, através da nossa voz levamos nossos filhos a um universo fantasia e aventuras onde o seu cérebro encontra calma e o convite para continuar sonhando feliz enquanto dorme.
Francesco Tonucci é um notável pedagogo italiano que baseou todos os seus trabalhos no estudo do desenvolvimento cognitivo das crianças pequenas. Para ele, algo tão simples quanto desligar a televisão e ler um livro para os nossos filhos é criar os grandes leitores do dia de amanhã. Além disso implica em aproximá-los a um valor que os tornará livres, mais curiosos e certamente, dignos herdeiros do legado que os bons livros nos deixam.
As crianças se transformam em grandes leitores no colo dos seus pais, por isso, não duvide em ser o melhor exemplo, deixe que vejam você se mergulhar em um mar de letras para que elas nadem em um mar de sonhos…
Embora seja verdade que às vezes estamos cansados e que é mais fácil se reunir na frente da televisão nas últimas horas do dia, pense que a infância dos seus filhos é muito breve, e o melhor momento “sempre é agora”. Aproveite cada segundo e cada instante, faça deles os seus cúmplices frente a um livro, deixe que o sono os vença no seu colo enquanto você chega ao fim dessa história.No dia de amanhã eles agradecerão…

Um livro aberto é um cérebro que fala e uma mente que ouve

Um dos problemas que costumamos ter com as crianças no que se refere a leitura é que muitos se aproximam dos livros por obrigação escolar e não por prazer. Isto não deveria ser assim. O bom leitor se aproxima pela primeira vez a esses oceanos de letras na sua infância por pura curiosidade e sutil desafio.
A leitura, como o amor, é a pedra ideal para afinar a alma.
Algo tão simples como dar à criança a liberdade na hora de escolher a sua leitura é uma coisa que sempre traz bons resultados, mas é ainda melhor quando nós agimos como modelo. De fato, para Tonucci, não há melhor brinquedo que um livro e não existe maior acerto do que favorecer a capacidade de escuta das crianças ouvindo-nos ler.

Para compreender isto melhor, convidamos você a considerar estes aspectos sobre os quais refletir.

Os benefícios da leitura relaxada

Graças a um trabalho conduzido pela “American Academy of Pediatrics” foi feita uma descoberta importante: as crianças entre 2 e 6 anos não deveriam estar expostos à televisão ou a dispositivos eletrônicos durante mais de uma hora por dia. Dos 7 aos 12 anos de idade, deveríamos controlar que não excedam as 2 horas.
Segundo este estudo, a visão prolongada da televisão ou do computador pode desenvolver um déficit de atenção nos pequeninos. Isto se deve ao fato do córtex frontal, ainda imaturo nas crianças, ficar super ativado com as ondas eletromagnéticas.
Deixar que os nossos filhos durmam assistindo televisão não é precisamente a coisa mais terapêutica, apesar de nós mesmos fazermos isto com freqüência. Falamos de educação, pedagogia e antes de mais nada de saúde infantil, por isso, antes de deixar que o sono os leve diante da TV ou do tablet, é preciso colocar em prática a boa arte da leitura relaxada.

  • Não importa que os seus filhos ainda não tenham adquirido a competência da leitura e da escrita ou que já estejam conseguindo as suas primeiras conquistas. Sentar-se com eles na cama e começar a ler para eles irá trazer um benefício enorme para o seu desenvolvimento neuronal e emocional.
  • A leitura relaxada aumenta o fluxo de sangue para o cérebro, traz bem-estar à criança além de uma calma muito gratificante apropriada para este último instante do dia.
  • A área do cérebro que mais é estimulada no processo de “escuta” é a área pré-frontal,indispensável para desenvolver e potencializar muitos processos cognitivos nas crianças: a atenção, a imaginação e os raciocínios mais complexos.
Ler para os seus filhos uma história ou livro com uma mensagem exemplar ou um bom raciocínio moral pode potencializar a sua empatia e o respeito por seus semelhantes. Vale a pena.

A leitura relaxada, um vínculo de carinho entre pais, mães e filhos

Leia para os seus filhos sem pensar que você está perdendo tempo ou que você tem muitas coisas para fazer além disso. Permita que o tempo se detenha e agarre-os, deixe que a emoção desse livro os envolva e que a sua voz cative o coração do seu filho.
Nenhum presente poderá superar esses momentos de leitura compartilhada, nesses lugares inventados onde os sonhos, as aventuras e os mistérios aceleram a sua imaginação enquanto a sua respiração ganha compasso pouco a pouco e lentamente, a medida que chega o sono e, simplesmente, se rende.
A leitura relaxada na última hora do dia é um modo maravilhoso de educar as suas mentes e de permitir que o seu cérebro amadureça em equilíbrio. Os livros são um legado que se compartilha entre pais e filhos, e nada deveria substituí-los, menos ainda a televisão ou as novas tecnologias.
Fonte: A mente maravilhosa

Autocrítica: Por que somos tão duros com nós mesmos?



Estávamos trabalhando havia dois meses, Daniel (nome fictício) e eu. Suas emoções o desafiavam a ponto de pedir ajuda. Começamos a nos ver em sessões semanais de psicoterapia. E foi assim, em uma das conversas, que disse: “Sempre penso que nunca está suficientemente bom o que faço, estou sempre me criticando por meu desempenho mediano. Até com você, me esforço para fazer boas análises, mas sempre saio sentindo que não está bom. O que eu faço não está bom”. Ser duro consigo mesmo é algo familiar para muitos de nós. Temos uma tendência a nos distanciar de  emoções como a raiva, o medo e a vulnerabilidade cobrindo-as com autojulgamento. E é assim que alimentamos um pequeno (ou grande) tirano que vive dentro de nós. Ele aparece exatamente quando estamos em sofrimento. Naquele exato momento em que mais merecemos acolhimento, e não crítica. E foi em um desses nossos encontros que sentamos, Daniel e eu, para conhecer mais sobre seu pequeno tirano interno. Visitamos momentos em que ele é realmente duro e frio. Percorremos exemplos de sua vida dos quais, ainda criança, lembrou de ter sido muito duro consigo mesmo, principalmente com as notas da escola. E foi em um desses dias que ele, carinhosamente, apelidou seu pequeno tirano de “Zé”. E se despediu de nosso encontro dizendo: “Vou levar o Zé para dar uma volta”. Nesse dia, Daniel começou a aceitar a existência de uma parte de si. E viu que poderia fazer, a partir dali, uma escolha: amá-lo ou odiá-lo. Daniel passou a ter consciência de quando está julgando a si mesmo e aos outros: “Olha o Zé aí de novo!”. 

Um novo relacionamento

 É assim que podemos começar um novo relacionamento com nós mesmos. Levar aceitação e compaixão para nosso tirano interno pode ser o caminho de início para uma nova relação conosco. Conhecendo aquela parte de que não gostamos, de que nos sentimos envergonhados ou raivosos em nós. Certamente nossos “Zés” aparecerão. E aí passaremos a conhecê-los, aprenderemos sobre seus hábitos e costumes. Reconheceremos neles, além da crítica e do julgamento, um instinto protetor. De alguém dentro de nós que não quer que a gente se sinta triste por nossas falhas, que se preocupa em ser melhor, em se desenvolver. Esse tirano salvou nossa pele em muitos momentos. Nos fez estudar para as provas, pois senão perderíamos o ano. Nos livrou de algumas broncas e castigos. Nosso desejo por amor, atenção, aprovação e aceitação está na base do que gostaríamos de vivenciar. Muitas vezes conseguimos isso através dos outros: um pai, uma mãe, um irmão, um grande amigo ou um cuidador. Mas muitos de nós temos feridas desse desejo não correspondido. Sedentos desse amor não recebido, sentimos mágoa, tristeza e raiva, pois não fomos compreendidos, amados e aceitos como somos. É assim que, através do auto- amor, reavaliamos nossas cobranças para que os outros nos amem, compreendam e aceitem. E esse “outro”, na maioria das vezes, está confuso e atarefado tentando resolver suas questões sobre a falta de amor e de aceitação que também não recebeu. Amar a nós mesmos envolve completo perdão, aceitação e respeito por quem somos, sobre as partes bonitas que nos habitam e também as sombrias. Quando há autoamor, cuidamos de nós mesmos, honramos nossas limitações, estamos atentos às nossas necessidades. Desenvolvemos o mesmo carinho e cuidado que temos com um amigo querido. Como exemplo desse autoamor, podemos suavizar a nossa autocrítica quando erramos, cuidar da nossa alimentação, evitar ações que nos fazem mal ou prejudicam nossa saúde, ir àquela consulta médica que temos postergado, nos afastar de relacionamentos tóxicos ou evitar nos sabotar com ações inconsistentes com nossos valores. Substituiremos o velho e conhecido “eu não sou bom o suficiente”, “tenho que ser mais magro ou mais forte”, “preciso ser mais assim como ele”. As frases geralmente começam com: “tenho que”, “devo”, “é melhor que”. No entanto, a partir de agora, uma voz mais terna e amorosa toma lugar da antiga autocrítica. E é nessa hora que a compreensão de nossas limitações começa a emergir. Um entendimento sobre o quanto somos falhos e o quanto merecemos amor mesmo assim. A descoberta desse amor por si pode vir das maneiras mais improváveis: de uma busca incessante por um relacionamento, a partir do medo da rejeição, pelo medo de ser (novamente) abandonado. Ou de ser bonzinho para que o outro nos aceite. Percebemos essa busca desenfreada pelo outro e não percebemos que nos tornamos mendigos de amor, aceitação e compreensão. 

Despertar do amor

 Através do autoamor nos tornamos responsáveis por dar, a nós mesmos, todo amor, cuidado e apoio que buscamos no outro sem sucesso. Oferecemos aquele colo e aconchego que almejamos. Desenvolvemos cuidado e atenção por nós. E esse amor sempre esteve dentro de nós, esperando para despertar. Pesquisadores americanos estão em campanha para que as escolas substituam os programas de desenvolvimento de autoestima por programas de autocompaixão. Quando trabalham com a autoestima, eles observam um aumento da autocrítica e da competição. No programa de autocompaixão, o objetivo é suavizar a autocrítica e trabalhar com a cooperação do grupo. Quando estamos aprendendo sobre o autoamor, geralmente confundimos com autopiedade ou pena. É comum ouvirmos: “Mas se eu for doce e gentil comigo mesmo eu vou me acomodar”. Essa é uma dúvida comum. Apesar do autoamor, não deixamos de buscar melhorar e nos desenvolver. O que vai mudar é a forma de agir e de se autodesenvolver. As ações serão as mesmas, mas a voz interna é de encorajamento, de persistência carinhosa diante dos desafios. E foi parte desse processo de despertar que Daniel dividiu comigo em uma carta escrita para si mesmo. Ela dizia: “Você é a pessoa que acorda todos os dias comigo. Aquele que respira, anda e também com quem converso ou canto. Aquele que está comigo todo santo dia. É com você que adoeço, choro e divido as situações de raiva e as de alegria. Você é aquele que vai morrer comigo, aquele que me acolhe quando algo não sai como eu gostaria. Você é meu companheiro constante, minha casa e minha razão. Eu escrevo isso para você pois agora temos um ao outro. Você nunca mais estará só”

Fonte: Vida Simples

O paradoxo do nosso tempo


Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios.
Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos cansados, lemos pouco, assistimos TV demais e oramos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'.
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na despensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.


Texto de George Carlin

PARTICIPAÇÃO PARENTAL NAS TERAPIAS INFANTO-JUVENIS


Olá novamente!
Hoje dei início a um projeto com estudantes e profissionais da área da psicologia e pude observar que nos meus últimos eventos realizados discutimos em demasia a participação parental no processo de psicoterapia infanto-juvenil , o que me fez refletir sobre esse papel e o quanto se faz essencial essa participação.
Utilizando uma lógica simples podemos divagar sobre o simples fato de que uma criança ou adolescente simplesmente não podem ser responsáveis por si legalmente e, em alguns casos, nem mesmo fisicamente ou responder pelos próprios atos. Logo, seria compreensível o entendimento básico de que sim, existe uma NECESSIDADE de uma figura responsável nos bastidores de qualquer coisa que aconteça com esse público, seja no ambiente clínico ou não.
Por esse motivo resolvi escrever esse texto, na tentativa de elucidar as figuras parentais sobre sua importância na vida dos seus.
Sim, vocês são essenciais no processo de aprendizagem, na compreensão dos processos emocionais e cognitivos, para ensiná-los a maneira mais assertiva de se relacionar, para lhes ensinar em quem confiar e, muitas vezes, como mediadores de determinadas atividades tal qual a psicoterapia. Portanto, façam o seu papel com maestria e serão lembrados sempre para eles como pessoas que se importaram e para nós, os profissionais que tem por objetivo auxiliá-los, como pessoas que fazem o seu papel e facilitam o nosso.
Abraços e até o próximo texto!

Um presente para você




Durante uma aula, em um curso de graduação de uma universidade particular, o aluno exige que o professor novamente lhe explique a matéria, pois "paga a universidade, então paga ao salário dele". O filósofo alemão Peter Sloterdijk, na entrevista "What does a human have that he can give away?"(http://www.academia.edu/9185150/What_Does_a_Human_Have_that_He_Can_Give_Away_-_interview_with_Peter_Sloterdijk_2013_), afirma que em nossa cultura de produção em massa de diversos bens, como por exemplo a educação ou os alimentos, somos todos consumidores. E somos praticantes de uma ética erótica, que é a do inesgotável desejo de ter algo que sempre parece nos faltar. Somos como bocas abertas e carentes que vivem querendo que algo lhes caia dentro. 

No caso da universidade particular, temos dinheiro. Então nos vemos no direito de que algo seja depositado em nossas bocas. Esticamos o braço para dar o dinheiro, e queremos conhecimento em troca. A relação é de consumo, não parece haver aí qualquer preocupação com desenvolvimento pessoal, enriquecimento espiritual. Diferente disso ocorreria em uma universidade pública, por exemplo, em que não haveria troca de dinheiro por conhecimento: o aluno veria a si mesmo como tendo estudado e passado em um difícil concurso, para estar lá. O valor pessoal dele estaria provado, e ele o apresentaria ao professor para ser visto por ele como alguém que mereceria assistir a sua aula. 

Na descrição da situação da universidade pública eu usei o futuro do pretérito nas ações. Fiz isso porque estes verbos, para acontecerem, assim como o desenrolar daqueles fatos, requerem que os alunos cheguem àquela situação como tendo algo pessoal a dar para a universidade, para ser trocado pela aula. Eles não poderiam chegar como pessoas a quem falta algo, e que disfarçam isso com dinheiro. Mas não é assim que ocorre pois, entre nós, só chega à universidade quem fez bom ensino médio, o que envolve dinheiro. Então, este aluno também só é capaz de encarar uma aula como uma situação de consumo, proporcionada a ele não por ele ter algo de especial. Este aluno também é capaz de dizer que paga o salário do professor, por pagar impostos. 

Segundo Sloterdijk, impostos são direcionamento de dinheiro a uma instituição primeiramente interessada em manter a si mesma, e cujo uso deste recurso em serviços públicos ou não é exatamente o que muitos gostariam que fosse, ou não é o mais eficiente. O fundo recolhido através dos impostos torna-se um dinheiro mal-utilizado, e utilizado sem o total conhecimento e aprovação do contribuinte. Deste modo, ninguém vê a si mesmo como contribuidor ao funcionamento de uma universidade pública. Essa instituição é gerida sem a participação ou ao menos o conhecimento dele. 

Poderíamos tentar considerar, neste momento, os dons espirituais dos jovens como um certo bem que eles dirigem à universidade. E observamos isso. Mas também observamos a substituição da troca entre dom espiritual e boas aulas pela troca entre dinheiro e conhecimento. A troca de dons espirituais, que podem ser bom nível cultural, boa educação, bons valores, etc, por boas aulas requer que se esteja não em um clima erótico, de sensação de que algo falta e por isso precisa ser pego, mas em um clima timótico. 

O thymos foi trabalhado principalmente por Platão, em A República: o homem pode ter um dentre três tipos de alma, que são a alma com a aptidão para desenvolver o intelecto, a propensa aos apetites e aquela que pode e deve desenvolver seu thymos. Na psicologia platônica, que pertence à cultura grega antiga, o thymos são os derivantes da ira, que vão desde o orgulho até a cólera. O timótico seria o disciplinado, treinado e orgulhoso soldado da República. Ele reconhece os seus talentos, regozija-se por realizar bem a sua função e propensão de alma. E ele quer o reconhecimento dos outros. Oferece seus talentos aos seus concidadãos, e em troca quer cumprimentos. Timótico também é o intelectual, que elabora uma ideia e se sente auto-recompensado ao fazê-lo. 

Este aspecto psicológico encontra-se entre nós pouquissimo desenvolvido, visto que nem mais ouvimos falar nessa palavra (você já tinha ouvido falar em thymos?). Não damos valor ao orgulho, não temos muita clareza do que seja fazer algo bem-feito ou realizar uma boa ação, e sentir prazer com isso. Sloterdijk nos fala de empresários, nos EUA, que fazem grandes doações em dinheiro a Universidades. Não estão trocando dinheiro por conhecimento, mas por incremento desenvolvimental de comunidades. E o fazem em troca de reconhecimento social, mas sobretudo por orgulho próprio. 

O filósofo sugere que comecemos a considerar incentivos a uma cultura de doações voluntárias. Impostos, coercitivos, têm sido acompanhados de perda de noção dos indivíduos quanto ao uso que é feito do dinheiro deles, e isso leva à falta de sentido que o funcionamento de uma universidade tem para eles. Doações, ao contrário, são uso dirigido de dinheiro, feito por quem sente que tem algo a dar e que gera tão bons resultados em universidades, hospitais, etc, quanto geram bem-estar aos doadores. 

Uma cultura mais timótica significaria estudantes, que não são empresários, apresentando-se como aprendizes. A palavra aprendiz sugere alguém em formação tanto em uma área de saber e para exercer uma profissão, quanto integral, ou seja, cultural e comportamental. E todo aprendiz olha com orgulho para si mesmo. E sente que este é o mesmo olhar que o professor, seus pais e, posteriormente pessoas desconhecidas, lançarão para ele. 

Estudantes, professores, pais, governantes deveriam buscar fazer algo bom, digno de orgulharem-se. Numa cultura assim, veríamos a nós mesmos como pessoas dotadas de algo especial que pode ser oferecido ao mundo. E este algo, na verdade, só o conhecemos ou o temos se o damos, como diz Sloterdijk, citando um dito de Lacan a respeito do amor: "você só o tem passando-o adiante". 

Dar o que você tem de bom é dar essa mesma coisa de presente para você mesmo.


Ouro, prata ou bronze.



Aproveitando esse período de Jogos Olímpicos, essa semana proponho esse tema sobre vencer ou perder e foi justamente durante uma competição que me ocorreu essa reflexão e por isso resolvi dividir com vocês.
Quando se trata de disputa temos algumas frases repetidas quase sempre para justificar uma derrota. “Vencer é ótimo, mas é na derrota que se cresce”. “Perder ou vencer, o importante é participar”. “O importante é competir”. Mas o que de sincero será que tem nesses clichês?
Geralmente nas competições esportivas só temos um vencedor ou equipe, isso necessariamente implica que a maioria perdeu. Perdeu? SIM, se analisarmos pelo prisma de uma cultura que valoriza apenas a vitória. Mas quantas vitorias de superação, de conquistas de direitos principalmente de mulheres ao poderem disputar os Jogos, o vôlei feminino que hoje talvez seja a grande esperança de conquista de medalha para o Brasil, só pode participar em 1980, o próprio criador do Jogos modernos o Barão de Coubertain era um dos maiores adversários da participação feminina nos Jogos Olímpicos.  

Conheço pessoas que dizem ver mais valor em uma medalha de bronze do que a de prata, alegando que o bronze é fruto de uma vitória e uma capacidade de recuperar e superar a derrota que o impediu de disputar a final, enquanto a prata é fruto de uma derrota no momento decisivo. Não gosto muito dessa análise, acredito que ser simplista demais e um tanto cruel tanto para quem ganha quanto para quem perde.

Saber ganhar! Saber perder!
 A vitória costuma mascarar falhas, raramente refletimos onde ganhamos, já na derrota é comum tentar descobrir “onde” perdemos. E justamente aí pode está uma vantagem da derrota, ainda que possa parecer amargo, ela pode te fazer melhorar. O grande problema é que nessa sociedade competitiva a história quase sempre é contata a partir da perspectiva do vencedor.
          Não gosto de perder! Não aceito nem no par ou ímpar. Esses são outros clichês usados para justificar algum ato de descontrole. A derrota em si não define ninguém a forma como se reage a ela sim.  Quem não se lembra da famosa mordida de Mike Tyson na orelha de Evander Holyfield enquanto perdia a luta. Por outro lado, o pugilista norte-americano Floyd Patterson foi derrubado sete vezes pelo adversário em uma luta que valia o título mundial, antes do árbitro interromper a luta. Em uma entrevista, dias depois, Patterson disse: “Eles falaram que eu fui o homem que mais foi derrubado, mas eu também fui o que mais me levantei”.  Depois disso Patterson foi campeão olímpico, bicampeão mundial na sua categoria.
         E assim seguimos. Vitorias e derrotas acompanham todxs na construção de quem somos. Para conseguirmos aquela vaga de emprego, alguns foram reprovados, para seu time ser campeão outros tantos não foram. E assim vice-versa. O que muda é a forma de nos relacionarmos com essas etapas.
       Para finalizar gostaria de deixar uma reflexão que os filósofos Mario Sergio Cortella e Clovis de Barros Filho apresentam no livro “Ética e Vergonha na Cara”.
Em uma corrida de cross-country, o queniano Abel Mutai, medalha de ouro nos três mil metros com obstáculos em Londres, estava a pouca distância da linha de chegada e, confuso com a sinalização, parou para posar para fotos pensando que já havia cumprido a prova. Logo atrás vinha outro corredor, o espanhol Iván Fernández Anaya. E o que fez ele? Começou a gritar para que o queniano ficasse atento, 10 mas este não entendia que não havia ainda cruzado a linha de chegada. O espanhol, então, o empurrou em direção à vitória. Bom, afora o ato incrível de fair play, há uma coisa maravilhosa que aconteceu depois. Com a imprensa inteira ali presente, um jornalista, aproximando o microfone do corredor espanhol, perguntou: “Por que o senhor fez isso? ”. O espanhol replicou: “Isso o quê? ”. Ele não havia entendido a pergunta – e o meu sonho é que um dia possamos ter um tipo de vida comunitária em que a pergunta feita pelo jornalista não seja mesmo entendida –, pois não pensou que houvesse outra coisa a ser feita que não aquilo que ele fez. O jornalista insistiu: “Mas por que o senhor fez isso? Por que o senhor deixou o queniano ganhar? ”. “Eu não o deixei ganhar. Ele ia ganhar”. O jornalista continuou: “Mas o senhor podia ter ganho! Estava na regra, ele não notou...”. “Mas qual seria o mérito da minha vitória, qual seria a honra do meu título se eu deixasse que ele perdesse? ”. E continuou, então, dizendo a coisa mais bonita que eu li envolvendo a questão da ética do cotidiano: “Se eu ganhasse desse jeito, o que ia falar para a minha mãe? ”.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CORTELLA, Mário Sergio;BARROS FILHO, Clóvis de. Ética e Vergonha na Cara. 1. Ed, São Paulo: Editora Papirus 7 Mares, 2014.

Sobre a paz que desejamos


“Para a paz que desejamos, estamos de fato fazendo a nossa parte ou querendo a nossa parte? “
Durante o processo de subjetivação da humanidade, o homem buscou a paz nas contingencias do mundo, no que este pode oferecer para proporcionar bem estar e harmonia. Mas, estamos oferecendo o nosso contributo para essa paz que queremos?
Tudo o que ocorre no mundo externo é uma projeção do nosso mundo interno. Na prática, não existe uma separação entre interno e externo, entre individual e coletivo. Vivemos uma dicotomia acreditando que tudo é separado. Na realidade, todas as questões sociais que perpassam a humanidade são a manifestação, a “materialização” de nossos conteúdos, de nossas questões e de nossos conflitos. A paz, como qualquer outro aspecto, deve ser compreendida como processo interrelacional, onde existe interligação entre fatos e pessoas, de como somos e estamos no mundo e de suas manifestações.
A questão crucial é que jamais encontraremos a paz fora de nós, pois esta nasce de um movimento interno e se manifesta em nossas relações a partir das contribuições que fazemos para a materialização da proposta de mundo que desejamos. No entanto, sempre “nadamos contra a maré” da verdadeira paz. Ainda não a vivenciamos, pois o “eu quero”, o “eu sou”, o “eu tenho” e todo o movimento do ego que dissocia o homem do próprio homem é gerador de conflitos e isto não é um fenomeno social atual. Em seu percurso existencial, o homem sempre apresentou atritos de todas as espécies, sendo observados comportamentos e condutas característicos geradores de contendas em qualquer época, cultura, território ou espaço social e por motivos vários. Sempre houve conflito, o homem nunca soube viver em paz, embora deseje a paz.
Para Refletir:
Ultimamente observa-se um processo crescente de espiritualização, contemporaneamente a tanto egocentrismo. Estamos de fato nos espiritualizando ou se trata apenas de uma “persona” social para maquiar o mal estar generalizado Estamos de fato fazendo a nossa parte ou apenas querendo a nossa parte? Não precisamos somente dar um sentido de paz à nossa vida, mas sobretudo encontrar um sentido de paz no mundo em que vivemos, oferecendo o nosso contributo, pois como disse Mahatma Gandhi: “Seja você a mudança que deseja ver no mundo”.
E como tudo é uma construção, para a paz não é diferente.
Fonte: Por Soraya de alquimia da vida

Por que os pais precisam dedicar tempo de qualidade aos filhos?


Pais e filhos, paternidade, criação de filhos, tempo de qualidade,

Os pais precisam passar tempo com os seus filhos. Nada substitui a presença, pois ela é de suma importância para a criação/educação, a construção do caráter e o desenvolvimento emocional de uma criança. Não se pode terceirizar a tarefa de acompanhar/educar os filhos.

É evidente que no contexto atual, considerando a realidade na qual pai e mãe trabalham fora, passar tempo com os filhos não se constitui uma tarefa fácil. Com a correria do dia-a-dia, faz-se necessário recorrer a creches e babás, ou mesmo, aos avôs para dar conta do cuidado com os filhos.

Não há nada de errado em lançar mão desses expedientes, todavia, não podemos perder de vista a noção de que o filho precisa ter um tempo exclusivo e com os seus pais, mesmo que seja só à noite ou aos finais de semana. Vale salientar, que tal questão não gira em torno da quantidade de tempo, mas da qualidade do tempo.

O filme Chef (2014), estrelado e dirigido por Jon Fravreau, me fez refletir sobre a necessidade de tempo de qualidade na relação pais e filhos. Para não dizerem que eu dei spoiler, vou trazer um breve resumo sem contar o final do filme.

Continue a leitura para aprofundar a reflexão.

Na película citada, o personagem principal é um chefe de cozinha, pai de um menino de cerca de 11 anos. O menino morava com a mãe, a ex-esposa do chefe. Como todo chefe de cozinha, Carl Casper (o personagem principal), tinha uma vida agitada, com isso não conseguia separar tempo para dedicar ao filho.

“O melhor presente que você pode dar para alguém é seu tempo, pois quando você cede seu tempo, você está cedendo uma porção de sua vida que nunca poderá voltar atrásMarcus Lara

O garoto vivia triste porque o pai não era presente e sempre lhe fazia promessas de passeios e viagens que não cumpria. Carl Casper foi demitido de seu emprego e resolveu montar um trailler.

Durante as férias o filho pediu para trabalhar junto com o pai. De início a relação não estava indo muito bem. Alguns conflitos surgiram, diferenças culturais e geracionais. Resumindo, o filho não conhecia o pai e nem o pai o filho.                                                                                                                                                                                      
Chef, Jon Favreau, pais e filhos
Com o passar do tempo, o filho foi aprendendo a arte da cozinha. A relação foi melhorando, e assim, o pai teve a oportunidade de conhecer quem verdadeiramente era o seu filho.

O jovem garoto começou a divulgar o trabalho do Food Truck na internet. Desta forma, o trailler começou a “bombar”. Por fim, a relação dos dois foi mudando e o pai percebeu que o menino foi muito útil e ajudou tanto na cozinha quanto nas redes sociais divulgando o serviço.

Com isso, o pai pediu ao filho que o ensine a mexer nas redes sociais (acabo o meu resumo por aqui).

Esse último fato é um dos que quero destacar.

Costumamos pensar que é o filho quem aprende com o pai, no entanto, nesta relação, os pais também tem muito a aprender com os seus filhos.

Pais e filhos, paternidade, família

                                                                                                         
Talvez a questão da internet e da tecnologia tenha deixado mais em evidência essa possibilidade de aprendizado dos pais com os filhos. Como estamos falando, de uma geração que já nasceu inserida dentro do mundo digital em relação a uma geração que tem que se esforçar para acompanhar as mudanças provocadas pela tecnologia, fica mais fácil perceber o quanto que os pais têm a aprender com seus sucessores.

Pensando nisso, lembro-me de que quase sempre ouço um professor dizer: “Com os meus alunos, eu mais aprendo que ensino”.

Voltando a pergunta. Por que os pais precisam dedicar tempo de qualidade aos seus filhos?

Porque o filho precisa dessa vivência. Mas não se engane. Os pais precisam tanto quanto os filhos. Nessa relação acontece uma bela partilha de percepções.

Uma geração tem uma característica peculiar e que a outra não tem. Sendo assim, podem compartilhar de pontos de vistas distintos, de modo que um aprende com o outro e ambos evoluem.

O pai que aprende com o filho provavelmente está em constante processo de tornar-se um ser humano melhor. Mas essa experiência só poderá ser vivida se houver tempo de qualidade. Por isso, papai e mamãe, permita-se experimentar essa possibilidade, invista tempo de qualidade na relação com seu filho. Todo mundo sai ganhando.