segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Cortando o cordão umbilical: Os problemas de sua família não são seus.

A família é nosso primeiro meio social, é onde construímos e nutrimos nossas primeiras relações e também onde iniciamos nosso desenvolvimento do Eu. Os vínculos costumam se desenvolver de forma intensa, por vezes nos tornando cuidadores e defensores de nossa família.

Acontece que muitas vezes esses laços se constituem de forma a não estabelecer limites a essas relações, tornando-as disfuncionais.


Família disfuncional? O que é?    "Uma família disfuncional é aquela que responde as exigências internas e externas de mudança, padronizando seu funcionamento. Relaciona-se sempre da mesma maneira, de forma rígida não permitindo possibilidades de alternativa. Podemos dizer que ocorre um bloqueio no processo de comunicação familiar". Fonte:Boa Saúde

Em muitos casos um familiar responsabiliza-se por resoluções de problemas e conflitos que não deveriam ser de sua preocupação. Veja alguns que estão recentes em minha mente.

1.         Filho que assumiu a posição de ‘chefe da casa’ após separação conturbada dos pais. Além de cuidar de si e de suas questões ‘adolescentes’, o filho sente-se na obrigação de cuidar da mãe e educar o irmão mais novo;
2.        Filho de pais que vivem em meio a separações e ameaças de divórcio. O filho vira mecanismo de reconciliação/separação do casal, sendo peça fundamental para que um ciclo briga-separa-volta se mantenha a todo vapor;
3.       Filha mais velha e adulta sente-se responsável por dar suporte a sua mãe (que criou a filha parte da infância sozinha), seja financeira ou emocionalmente. Tornando-se refém dos problemas da mãe, que são normalmente resolvidos pela filha ou não resolvidos para se manter esse tipo de relação;
4.       Irmã que sente-se responsável por cuidar dos irmãos e já na fase adulta continua a resolver os conflitos e arcar com despesas financeiras dos irmãos;
5.       Mãe que, apesar dos filhos já serem adultos e estarem casados, sente-se responsável por conduzir a vida dos filhos e assumir despesas e responsabilidades deles;

Ao expor os exemplos acima não me refiro a situações isoladas ou casos específicos. Me refiro a ciclos repetitivos que adoecem as relações e sobrepõem responsabilidades individuais, transferindo-as ao outro.

Em casos como os já citados todos têm prejuízos em suas vidas. Uma pessoa sobrecarrega-se, outra não amadurece, mantendo uma relação imatura, sem espaço para desenvolvimento com intuito de melhora.
Para alguns pode ser visto como prova de amor, mas não. Amor baseia-se em troca, respeito mútuo e limites. Estipular limites sim é uma prova de amor, amor ao outro e a si mesmo.



Normalmente quem se encontra neste tipo de situação enfrenta dificuldade em romper com o ciclo vicioso que retroalimenta, no entanto, é extremamente necessário que o indivíduo entenda o papel que vêm exercendo e o que o motiva a manter-se nessa posição (normalmente há algum ganho ou enrijecimento por um ganho do passado). A consciência do funcionamento familiar já é de grande valia já que muitas pessoas vivenciam essas situações sem nem ao menos perceber que algo está disfuncional, mesmo em casos em que haja sofrimento manifesto. 

Em alguns casos uma conversa com alguém fora da família, como um amigo, poderá alertar e alterar o status da família. Outras vezes o processo terapêutico se faz necessário. 

O processo terapêutico individual por si só já provocará desdobramentos no lidar deste individuo com seus familiares. Agora se o processo terapêutico for familiar, ou seja, todos os membros da família participarem, o processo poderá ser muito mais rápido, pois os conflitos referentes ao envolvimento e mecanismo familiar serão resolvidos por todos juntos, além de propiciar que todos entendam seu papel no funcionamento da família, possibilitando, assim, a escolha de permanecer retroalimentando os laços disfuncionais ou reescrevendo novas formas de organização e arranjo familiar. 


30 comentários:

  1. Excelente!!!!!!! Faz qualquer pessoa que viva uma situação como estas a dar um STOP.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Betânia Leão! Seja sempre bem vinda! :)

      Excluir
  2. Respostas
    1. Olá, Carol Amorim! Que bom que gostou! Seja sempre bem vinda! :)

      Excluir
  3. Muito bom esse texto, ajuda bastante!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que ajudou, Rayane! Seu comentário nos traz muita alegria. Seja sempre bem vinda! :)

      Excluir
  4. Seguramente, seríamos/teríamos indivíduos e famílias muito mais saudáveis se "curássemos" essas disfuncionalidades. Parabéns pelo artigo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, CM! Nós também acreditamos nisso e foi por isso que dividimos esse texto com vocês! :) Seja sempre bem vindo!

      Excluir
  5. Respostas
    1. Olá, Mario Rondon! Obrigada, este retorno nos deixa felizes! Seja sempre bem vindo!

      Excluir
  6. Um texto realmente esclarecedor. Perfeito!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ficamos felizes em saber que apreciaram o texto. Agradecemos o carinho. Volte sempre <3

      Excluir
  7. É muito bom ler algo que nos leva a enxergar algo que está diante de nós, mas não vemos. Parabéns e obrigado pelo texto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nós que agradecemos! Ficamos muito felizes em ajudar ^^
      Volte a nos visitar :)

      Excluir
  8. Eu faço parte dessa situação e não consigo dar esse passo do casamento.
    Sempre ajudei meus pais, sou a casula de 6 irmãos.
    Namoro um rapaz a seis anos e sempre q fazemos os papeis pra casar me dar um pânico de que Vou sair da convivência da minha família...
    Vou morar em outro país e é tudo comlicado. Porque tem tudo pra dar certo pra dar esse passo, mas não consigo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Ester!Lamentamos você se impedir desta forma. Sugerimos que você busque ajuda de um psicólogo. Sair do modelo de família que conhecemos e formar nossa própria família não é fácil, nosso profundo respeito. Se preferir, nos mande um e-mail, podemos indicar algum profissional de nossa equipe ou algum mais próximo de você. Abraço!

      Excluir
  9. Boa noite, passei por essa situação com minha família e só fui perceber o quão nocivo tudo isso era, quando caí doente e fui para terapia por outras razões e lá me deparei com essa situação. Ainda hoje, volta e meia tenho que parar para pensar no meu papel para com meus pais e irmãos, mas com consciência fica mais fácil! Adorei o texto. Abraços, Amara

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Amara! Obrigada por dividir sua história conosco. Você está certa ao dizer que com consciência fica mais fácil e está no caminho certo buscando ajuda e não mais adoecendo. Sucesso em seu processo de terapia. Um grande abraço!

      Excluir
  10. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  11. Excelente texto, parabéns. Minha companheira vive uma dessas situações colocadas. Se sente responsável em resolver os problemas de oito irmãos todos acima de 45 anos. Como posso ajuda-la? Desde já agradeço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Jaime. Agradeço o elogio e por dividir sua história conosco. O importante é que sua companheira possa estar consciente de seu comportamento. Um psicólogo poderá ajudá-la neste processo. Incentive-a a buscar suporte!Caso precise de indicações em sua localidade nos envie um email que tentaremos ajudá-los. Um grande abraço!

      Excluir
  12. Está na hora de cortar o cordão mas não sei como...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Iane! O auxílio de um profissional psicólogo poderá ajudá-la nessa caminhada. Caso prefira, entre em contato conosco, na página inicial tem nossos contatos, podemos auxilia-la a encontrar este profissional. Sucesso e um grande abraço!

      Excluir
  13. Adorei o texto, acredito que qualquer pessoa que o ler concerteza que se vai identificar. Estão de parabèns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Dilu!
      Que bom que gostou! Agradecemos o elogio!

      Grande abraço!

      Equipe LàR

      Excluir
  14. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  15. Bom texto para refletir o compromisso consigo mesmo e sua dependência familiar.Sempre é bom buscar ajuda para seus conflitos, mas a leitura tbm é muito importante .Gratidão

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá! Agradecemos seu comentário e concordamos sobre a importância de cuidarmos de nós mesmos.

      Um grande abraço.
      Equipe LàR

      Excluir
  16. Excelente texto para reflexão. Infelizmente não é tarefa fácil cortar esse cordão.Qdo se percebe já se está envolvido nos problemas. Torna-Se uma bola de neve! E aja terapia!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Karina! Agradecemos seu elogio. Realmente entendemos a dificuldade que muitos encontram em reorganizar as relações familiares. Como você comentou e nós concordamos, terapia é um ótimo caminho para auxiliar numa tarefa difícil como essa.

      Um grande abraço.

      Equipe LàR

      Excluir